A coletiva Causas Naturais foi reunida pela artista Mariana Abasolo (SP), e que teve como característica, o deslocamento do cotidiano de cada artista, para o interior da mini galeria. Além dos trabalhos, objetos pessoais, plantas, tudo foi cuidadosamente ambientado, e o que gerou foi uma exposição com ares de casa de colecionador: agradável aos olhos e florida. A montagem e a disposição dos trabalhos foi aleatória, porém todos se misturam na mesma parede em perfeita harmonia, técnicas e estilos diversos, democráticamente juntos.

Sobre o processo que reuniu os artistas, Mariana diz: “Resolvi reunir um grupo de pessoas que me eram próximas por vários motivos; aproveitei uma turma (Ana, Bruna, Tiago e eu) que já tinha participado de uma coletiva ano passado – montada pela Ana no Cartel011, aqui em SP – e chamei mais o Paulo, que faz projetos comigo há anos, e ainda o Znort e o Pjota, de quem sempre gostei muito do trabalho.Esse foi o único trabalho mesmo que tive: convocar todo mundo. A partir disso fomos trocando e-mails e decidindo todos os detalhes juntos.


No meio desses papos surgiu um assunto principal, sobre pensar a arte como algo cotidiano, mais real e próximo de todos….Natural mesmo. Algo que precisa ser estimulado e construido, mas que vai estar sempre ao alcance de qualquer um.


Acreditamos que a forma que você vive acaba sendo mais determinante no seu trabalho do que a técnica que utiliza. Por isso, resolvemos montar a exposiçao tentando fazer com que o espaço fosse verdadeiramente próximo de nós, do nosso cotidiano, e não só considerando o produto final. Além de trabalhos finalizados, também farão parte pequenos registros e alguns objetos que acompanham e influenciam a gente todo dia em casa. A ideia é justamente essa, tentar montar algo próximo do que é ou poderia ser a casa de qualquer um de nós, considerando que o cotidiano por si só já é bastante inspirador.”

 

Abaixo você conhece um pouco mais dos artistas envolvidos:

 

Mariana Abasolo

Expôs na mini galeria em 2008, na coletiva We Never Lost Control, ao lado da artista mineira Selma Andrade. Sua primeira individual foi também no ano de 2008, na cidade de Cataguases, Minas Gerais. Já a primeira individual em sua cidade natal foi recente, no espaço da revista + Soma em São Paulo, intitulada “Fé no Mistério”. Participou ainda de diversas publicações nacionais e internacionais. Desenha e cria alguns objetos, e para a exposição preparou uma série de desenhos influenciada por uma pesquisa sobre mitos e símbolos mitológicos.

 

Tiago Denardi

Realiza trabalhos em desenho e pintura. Ultimamente veem priorizando desenhos e pinturas de observação buscando um contato maior com lugares, pessoas e objetos reais, vivenciando o momento da captura e observando o objeto da obra em sua plenitude, experiências que se tornam cada vez mais raras nos dias de hoje.

 

PJOTA – Artista representado pela galeria Choque Cultural (SP)

Ao se observar as obras do artista plástico PJota, a primeira reflexão está no quanto uma imagem pode ser prazerosa enquanto universo de possibilidades visuais a ser desvendado como um desafio à capacidade de observação de cada pessoa que se propõe a contemplar o que lhe é apresentado. Isso não significa uma postura passiva, mas sim o estabelecimento de um diálogo que passa por diversas instâncias. A primeira é desvendar o mundo de referências à arte renascentista que o artista coloca à nossa frente. Seja pela pintura ou pela colagem, há uma influência mútua permanente com a história da arte. A presença do fundo branco é uma ilusão de minimalismo. O olhar atento nota a quantidade de interferências, como o uso de diversas letras, a existência de manchas distribuídas para atingir efeitos de composição e, acima de tudo, a instauração de uma densa mística no sentido de que cada imagem encontra o seu lugar. Cada tela surge de uma espécie de necessidade interior. A gradual estruturação do trabalho é o resultado exatamente do amadurecimento de um processo de escolhas e articulações pictóricas em que a imagem cria a sua própria linguagem, negando-se a soluções fáceis ou sugestões de título que apontam para interpretações simplistas. A grande questão que PJota traz em suas pinturas é a da ocupação do espaço da tela. Vazios e cheios se manifestam com personalidade, numa busca em que a imagem maior não é necessariamente a mais importante. Cada uma depende da outra para atingir o efeito desejado, numa prazerosa ação recíproca que

revisita a história da arte, traz referências pessoais e revela uma progressiva consciência que a arte é um campo de atitude em que a

felicidade pode estar presente.

 

Bruna Canepa

Ilustradora freelancer e estudante de arquitetura em período integral. Seus desenhos são uma mistura de coisas que vive e faz. E desenhar arquitetura, com uma específica linguagem arquitetônica, influênciou bastante o que vem fazendo.Bruna mistura numa caixinha nanquim, grafite, recortes, esculturas em madeira coloridas, cores primárias, ursos, âncoras e monstros. O resultado é um trabalho diversificado, cheio de materiais e rico em texturas variadas. Além dos desenhos, ela também se dedica a banda Homiepie, em que canta e toca teclado e também ao site SUPPADUPPA .

 

Znort – Artista representado pela galeria Choque Cultural (SP)

Nasceu em Ubatuba, 1984. Bacharel em Artes Visuais pela Belas Artes de São Paulo. Especialidades: Escultura, desenho, instalação, arte urbana, gravura em metal. Arte: Znort constrói seu universo com um pé na delicadeza e outro no bizarro. O imaginário onírico do artista é apresentado por meio de personagens e paisagens surreais. O artista esculpe bonecos em tecido, argila, chumbo e madeira.

Iamana

Multidisciplinar, seu trabalho inclui desenhar, pintar, tirar fotos, fazer vídeos e até fazer música no meio de tudo isso. Faz uso frequente de tinta acrílica e lápis sobre papel e madeira. Seu universo gira em torno de elementos graciosos e outros um pouco mais enigmáticos.

Paulo Mendel

Trabalha com videos, filmes e como curador do site blanktape.com.br, um espaço independente aberto para diferentes meios.

As telas que irá apresentar na mini galeria, resultam da observação de fotos capturadas por celular em 2004, uma maneira que o artista encontrou para imprimir e ampliar os registros em baixa resolucão.” É seu primeiro contato com a pintura à óleo.

 

 

Até 6 de novembro

Local: Mini Galeria/ Detono Graffiti